O que aconteceu na audiência anterior
No dia 15 de janeiro de 2026, Pedro Camilo Garcia Castro, um fisiculturista acusado de espancar sua namorada, a médica Samira Mendes Khouri, participou de uma audiência de instrução virtual. Esta sessão foi marcada por uma série de eventos significativos, que determinariam o rumo do caso. A audiência teve uma duração aproximada de quatro horas e era crucial para a apresentação de provas e depoimentos relacionados ao crime que ocorreu em julho de 2025. A ausência de duas testemunhas da defesa resultou no encerramento da sessão antes do esperado, com a continuidade agendada para o dia 9 de abril de 2026.
Entre as testemunhas presentes estavam a própria vítima, uma policial militar que respondeu à ocorrência, um funcionário do prédio onde a agressão ocorreu e um amigo que estava com o casal na balada antes do incidente. Este último é especialmente relevante, pois seu testemunho pode ajudar a esclarecer a dinâmica do relacionamento do casal e possíveis motivações para a violação da médica. Durante a audiência, a defesa de Pedro buscou apresentar um caso que rebaixasse as alegações de feminicídio, almejando uma classificação do crime como lesão corporal simples.
Quem são as testemunhas envolvidas
A audiência contou com um número significativo de testemunhas, cada uma representando uma perspectiva importante sobre os eventos que culminaram no caso. Uma das testemunhas mais relevantes foi Samira Mendes Khouri, a médica agredida. Seu relato é central para o processo, pois traz o testemunho ocular da violência vivenciada. Além disso, o testemunho da policial militar que atendeu a ocorrência é crucial, pois pode fornecer evidências sobre a situação no momento em que a polícia chegou ao local. Esta policial pode também descrever o estado emocional de Samira e as condições em que ela foi encontrada, o que pode ter um impacto significativo na avaliação do juiz.

Outro elemento interessante foi a presença de um amigo que estava com o casal na balada. O relato deste jovem pode oferecer insights sobre o estado de espírito de Pedro antes da agressão, incluindo se houve algum comportamento que indicasse ciúmes ou uma predisposição à violência. O funcionário do prédio onde ocorreram as agressões também contribuiu com informações sobre a segurança do local e possivelmente sobre o que ele viu ou ouviu durante o incidente.
Contexto do caso de violência
O contexto em que a violência ocorreu é fundamental para entender a gravidade da situação. De acordo com informações apresentadas, as agressões aconteceram na madrugada do dia 14 de julho de 2025, em um apartamento alugado pelo casal em Moema, São Paulo. Pedro teria chegado ao apartamento visivelmente alterado após ser expulso de uma balada LGBTQIA+. A razão para sua expulsão foi citada como ciúmes de um homem que coabitava o espaço social com Samira, o que acendeu a tensão entre os dois.
As informações indicam que, após a expulsão da balada, Pedro não conseguiu lidar com seus sentimentos e sua frustração se transformou em agressão física. O comportamento dele é um reflexo de problemas mais profundos relacionados à posse e à fragilidade da masculinidade, temas que frequentemente são discutidos em casos de violência doméstica. As agressões resultaram em múltiplas lesões para Samira, incluindo fraturas físicas e traumas emocionais que a acompanharam durante sua recuperação ao longo dos meses.
O papel da defesa e da acusação
A defesa de Pedro Camilo Garcia busca diminuir a gravidade das acusações que pesam sobre ele. O advogado do fisiculturista, Eugênio Malavasi, argumenta que as acusações de tentativa de feminicídio devem ser reduzidas para lesão corporal. A lógica da defesa é girar em torno da alegação de que Pedro não tinha plena consciência de seus atos devido ao uso de medicações controladas e anabolizantes, que afetariam sua condição mental no momento dos ataques. Essa estratégia visa criar um ângulo mais favorável ao réu, argumentando que ele não agiu com intenção ou premeditação ao agredir Samira.
Por outro lado, a acusação tem a responsabilidade de provar que as ações de Pedro foram de fato uma tentativa de feminicídio. A evidência apresentada por Samira, o depoimento da policial e das outras testemunhas têm um papel importante neste contexto, pois são elementos que poderiam embasar a argumentação da acusação sobre a intenção de Pedro em causar dano. Além disso, será necessário prover um contexto claro sobre o padrão de comportamento de Pedro, a fim de sustentar a caracterização do crime como feminicídio.
Impacto nas vítimas de agressão
O impacto da violência doméstica é devastador e se estende muito além da dor física. Para a vítima Samira, o processo de recuperação não diz respeito apenas a curar feridas; ele envolve tratar profundas cicatrizes emocionais e psicológicas. Após os agressões, Samira foi forçada a se afastar de sua rotina médica por cinco meses, período que não apenas repercutiu em sua carreira, como também gerou uma sensação de impotência e vulnerabilidade. A recuperação após um evento traumático desse tipo é frequentemente longa e cheia de desafios.
O que muitas pessoas não percebem é que a violência doméstica não apenas afeta a vítima, mas também tem repercussões em amigos, família e até colegas de trabalho. No caso de Samira, o ambiente em que ela trabalhava e suas relações puderam ser indiscutivelmente impactados. As vítimas de agressão frequentemente enfrentam o estigma social, a vergonha e o medo, dificuldades que podem resultar em isolamento.
A relevância legal da audiência
A audiência de instrução não apenas determina o que acontecerá no futuro do réu, mas também serve como um importante mecanismo legal para avaliar as evidências contra ele. Essa etapa do processo é crucial, pois é nela que se decide se o caso irá a júri popular. Além disso, essa audiência também é uma oportunidade para que a justiça seja feita e para que as vítimas tenham voz. Através do depoimento de Samira e outras testemunhas, o tribunal pode construir um quadro mais claro e compreensível do que ocorreu, permitindo que se formem decisões informadas e justas.
Outro ponto significativo é que essa audiência também serve para promover um entendimento mais profundo sobre a gravidade da violência contra a mulher no Brasil. Ela ajuda a sensibilizar a sociedade sobre a prevalência e os efeitos da violência doméstica, contribuindo para uma mudança cultural a longo prazo. Em última análise, este processo não deixa de ser uma luta por justiça, não apenas para Samira, mas para todas as mulheres que enfrentam o mesmo tipo de situação.
Aspectos da lei sobre violência doméstica
A legislação brasileira possui um arcabouço legal significativo no que tange à proteção das vítimas de violência doméstica. A Lei Maria da Penha, por exemplo, foi um marco na luta contra a violência de gênero, estabelecendo mecanismos para punir agressores e proteger vítimas. A lei determina que a violência doméstica é uma violação dos direitos humanos e que cada caso deve ser tratado com a seriedade que demanda.
Em relação a este caso específico, se a acusação conseguir estabelecer que as ações de Pedro se enquadram nos parâmetros do feminicídio, as consequências legais poderão ser severas. A tentativa de feminicídio, por exemplo, é considerada um crime grave e pode resultar em penas que variam de 12 a 30 anos de prisão, dependendo da gravidade das lesões e das circunstâncias que rodeiam o caso.
Consequências para o fisiculturista
As consequências legais de uma condenação por tentativa de feminicídio são significativas e podem afetar a vida de Pedro tanto a curto quanto a longo prazo. Além da pena de prisão, um entendimento de culpa nesse caso poderia resultar na perda de direitos civis e, possivelmente, da sua profissão como fisiculturista. A violência é vista com extrema seriedade pelo sistema judiciário e, dependendo do resultado do julgamento, a imagem pública de Pedro poderá ser irremediavelmente danificada.
A condenação por feminicídio também poderia acarretar a obrigatoriedade de o réu se submeter a tratamento médico e psicológico, reforçando a necessidade de abordar a raiz do comportamento agressivo. Além disso, a defesa de Pedro tentará reduzir a gravidade das acusações, mas se os fatos forem mantidos como estão, as consequências poderão ser drásticas e permanentes, não apenas juridicamente, mas também em sua vida pessoal e profissional.
Como a audiência virtual funciona
A audiência realizada no dia 15 de janeiro de 2026, foi realizada de maneira remota, uma prática que se popularizou durante a pandemia de COVID-19, mas que se tornou uma realidade em muitos sistemas judiciários devido à sua eficiência. Durante uma audiência virtual, o juiz, as partes envolvidas e as testemunhas podem se conectar através de plataformas digitais, como o Zoom ou Microsoft Teams, permitindo que todos participem do processo de forma segura e prática.
Um dos aspectos positivos deste formato é que ele pode facilitar a presença de testemunhas que, de outra forma, não poderiam comparecer fisicamente, seja por questões de saúde ou geográficas. No entanto, a eficiência das audiências virtuais também pode ser questionada, uma vez que a falta de presença física pode oferecer uma oportunidade menor para a leitura das emoções e reações das testemunhas e dos réus.
Expectativa para as próximas etapas do julgamento
O próximo passo no processo será a continuidade da audiência marcada para 9 de abril de 2026. Durante esta sessão, espera-se que as testemunhas ausentes compareçam e que o interrogatório do réu também seja realizado. A expectativa é que essa etapa possa trazer novos elementos para o caso e determinar se Pedro irá a júri popular. O resultado dessa audiência pode ocorrer em um cenário tenso, onde a comunidade e a opinião pública observam atentamente como a justiça se manifestará.
O impacto do julgamento se estende para além do tribunal, levantando questões sobre a violência de gênero em um contexto maior. A sociedade aguarda ansiosamente uma decisão que possa tanto punir um agressor quanto servir de alerta para os que perpetuam a violência contra mulheres. O resultado desta audiência e do julgamento subsequente poderá fornecer um senso de segurança e justiça para as vítimas e encorajar outras a buscarem ajuda e denúncia.


