Enquanto hospitais da rede pública sofrem com falta de equipamentos, no antigo Hospital Indianópolis, na Avenida Rubem Berta, 850, bairro Moema, na Zona Sul de SP, macas e outros móveis estão empilhados do lado de dentro e de fora do prédio desativado. A situação revolta pessoas que moram e trabalham na região.
“No sábado passado, os móveis hospitalares foram colocados para o lado de fora, ao relento e na chuva, com tantos outros hospitais e centros de saúde em estado de calamidade”, diz uma vizinha, que não quis se identificar.
Pela janela, é possível ver as macas sem uso na parte de dentro. Do lado de fora, móveis aparentemente novos estão empilhados nos fundos, como cadeiras e armários. O hospital pertencia ao grupo Amico e está fechado há cerca de dez anos.
Segundo o site da MHA Engenharia, empresa que executa projetos para o setor hospitalar e prestou serviço para o Amico-Indianópolis, a unidade tem 6 mil metros quadrados e atuava com 120 leitos.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Amil Assistência Médica Internacional, da qual a Amico Saúde faz parte, informou que as instalações são utilizadas parcialmente como depósito de ativos mobiliários para encaminhamento de acordo com as necessidades da empresa. Há segurança no local e a manutenção é realizada periodicamente, de acordo com a nota. A assessoria não explicou os motivos de os equipamentos ficarem empilhados na rua e nem informou o destino que será dado a eles.
Moradores de rua ocupam parte da frente do prédio e preocupam vizinhos
A área que dá acesso à recepção do antigo hospital é habitada por moradores de rua, que improvisaram uma barraca com lonas e passam as noites no local. Lixo, principalmente garrafas, toma conta do entorno. “Não são más pessoas, mas quem passa fica com medo de ser abordado”, diz um médico que trabalha nas proximidades, que não quis se identificar.
Para o médico, o fato de haver moradores de rua acaba desvalorizando a região. “O ideal seria revitalizar a área e colocar algum serviço no local”, comenta, sobre o prédio de dez andares que está abandonado. O médico também cobra ação mais efetiva por parte do poder público para resolver a situação dos moradores de rua. “O que mais incomoda é a falta de assistência”, fala.
A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informa que tem programas voltados aos moradores de rua, mas não pode agir dentro de imóveis particulares, onde a responsabilidade é do proprietários.
A Prefeitura não informou a quem pertence o prédio. A Amil informou que utiliza o espaço como locatária.
Fonte: Diário de S. Paulo
