El Arranque se apresenta neste fim de semana no Parque do Ibirapuera

Uma das mais brilhantes orquestras típicas do novo tango argentino, El Arranque está de volta ao Auditório Ibirapuera para celebrar os 15 anos de carreira, de hoje a domingo. Além de fazer um apanhado do repertório de todos os seus álbuns, mesclando tangos clássicos e composições próprias, a orquestra toca vários temas do álbum que dividiu com Leopoldo Federico, em 2010, todos raros ou inéditos de autoria desse mestre, o bandoneonista predileto de Astor Piazzolla. A grande novidade no som do grupo é a recente aquisição do cantor Juan Villareal. “Juan é fino, elegante e emotivo, será sem dúvida a grande surpresa de 2011”, diz o contrabaixista e diretor musical da orquestra, Ignacio Varchausky.

O músico promete tocar temas clássicos “que os brasileiros desfrutam”. Ele concorda que, como no caso do choro brasileiro e da música clássica, é muito difícil hoje o público assimilar novidades no tango, preferindo sempre o que já conhece. Por isso El Arranque procura um equilíbrio entre o tradicional e o experimental. “Sem dúvida, as pessoas sempre querem ouvir seus clássicos favoritos, e é compreensível. Quantas vezes se tocam as sinfonias de Beethoven por ano? Muitas. Por isso o artista tem o desafio e a obrigação de criar o espaço, o contexto e o interesse para apresentar uma obra nova”, diz Ignacio, que considera o público paulistano “fantástico” e “entusiasta”.

“É muito difícil isso de “só toco meus temas e o público não me importa”, mas se a gente encontra um equilíbrio entre o clássico e o novo, o público agradece e celebra. O melhor exemplo nos deu Duke Ellington, músico do mais alto nível que soube entreter milhões de pessoas, combinando tradição e vanguarda em cada show.”





Sobre o interesse dos jovens sobre o tango, ele diz que hoje “poderíamos dizer que há uma noção mais profunda do valor do tango clássico como arte e seu vínculo com a identidade argentina”. “Além disso, a perspectiva histórica fez com que nossa geração pudesse valorizar a música dos anos 1940 e 50 com menos preconceito que a geração de nossos pais”, diz Ignacio. “Mas é compreensível. Por acaso não são sempre os filhos os que se rebelam diante do mundo de seus pais e são os netos os que resgatam a figura de seus avós com uma visão romântica?”

Bibi e Marsalis. Em 2010 El Arranque esteve aqui tocando com a atriz e cantora Bibi Ferreira. “Bibi é a artista mais incrível que vi na vida”, diz Ignacio, que considera a experiência extraordinária. “Aprendi muito no processo de produzir seu disco de tango.”

Outro nome de peso em sua história é Wynton Marsalis, que os convidou para tocar em Nova York em 2001. “Wynton é um ícone da boa música, muito além do jazz em si. O simples fato de que ele se interesse pelo tango tem implicações muito positivas, como criar novo público e valorizar o tango como gênero elaborado e sofisticado”, diz Ignacio. “Foi uma experiência fundamental na carreira de El Arranque. Depois daqueles concertos no Lincoln Center demos um salto que nos ajudou a crescer no aspecto artístico, no profissional e no pessoal.” Este ano a orquestra pretende gravar um DVD ao vivo, para celebrar os 15 anos de carreira.

EL ARRANQUE
Auditório Ibirapuera. Portão 2 do Parque do Ibirapuera, 3629-1075. Hoje e amanhã, 21 h, dom. 19 h. R$ 30 e R$ 15 (meia entrada)

Fonte: O Estado de S. Paulo





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