Há 50 anos era inaugurado em SP o 1º Salão do Automóvel; evento foi no Parque do Ibirapuera

O Saci foi uma das estrelas da primeira edição do Salão do Automóvel, uma novidade no país que, meses antes, ganhara uma capital federal totalmente nova, Brasília, e um presidente eleito com grande número de votos – Jânio Quadros. O 1.º Salão foi aberto no dia 25 de novembro de 1960 pelo governador Carvalho Pinto. Em seu discurso, o governador qualificou a exposição como “um verdadeiro marco do esforço criador do povo brasileiro, de sua capacidade técnica e de seu gênio inventivo”.

No dia seguinte, um desfile de carros antigos com atores, entre eles Eva Vilma, John Herbert e Mauro Mendonça, marcava a abertura oficial ao público.

Saci era o nome de um protótipo de conversível da Willys. Ao seu lado estava o Jeep quatro portas, o Aero-Willys e os modelos 61 do Renault Dauphine. A Simca mostrou o Chambord e o Presidente. A Monoplast exibiu uma camionete com teto corrediço de lona, e a FNM expunha o vencedor da corrida Mil Milhas de Interlagos.

Uma das grandes curiosidades foi um Fusca (também chamado de Volkswagen sedã na época) adaptado como um carro anfíbio, que “navegou” no lago do Ibirapuera impulsionado por uma hélice adaptada no para-choque traseiro. Também foram apresentadas variações da Kombi como ambulância, carro de turismo, de entrega, de feira e de bar-ambulante.





Cerca de 450 mil pessoas visitaram o primeiro salão, onde foram sorteados cinco carros durante os 15 dias da mostra. Foram reunidas, no Pavilhão do Parque Ibirapuera, fábricas de autopeças e acessórios e as 11 fábricas de veículos nacionais: GM, Ford, Willys, Simca, VW, DKW-Vermag, FNM, Toyota, Mercedes-Benz, Scania-Vabis e Internacional Harvester, que apresentaram 24 modelos de veículos.

O primeiro Salão do Automóvel foi realizado em grande estilo, em 1960, quando a sociedade brasileira ainda desconfiava do carro nacional. A indústria automobilística estava estabelecida havia pouco tempo e o índice de nacionalização dos modelos era ainda muito baixo. Mas, naquela primeira oportunidade de mostrar o que faziam, as montadoras surpreenderam o público, com várias versões de automóveis, ônibus e tratores.

Assim que ficou consolidado, o salão tornou-se a maior vitrine do setor da América Latina. Por isso, já em 1964 começava a nascer o sigilo sobre as novidades que as fábricas apresentariam. Ao contrário de hoje, quando os lançamentos ganham antecipadamente as páginas dos jornais, até fins da década de 70 as novidades apareciam apenas no salão.

Saiba mais:

*Na década de 60, o tema era o nacionalismo, o orgulho dos produtos fabricados no Brasil.

*Um Fusca adaptado para navegar no lago do Ibirapuera causou espanto em grande parte das 450 mil pessoas que visitaram o salão.

Fonte: O Estado de S. Paulo





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