A cantora Marina de La Riva apresenta, em primeira mão, seu novo trabalho, Idilio (Universal, 2012), ao público do Auditório Ibirapuera. Delicado e cuidadoso, o álbum une as músicas brasileira e hispânica, que reflete a realidade de Marina, brasileira descendente de cubanos. Como descreveu o crítico Nelson Motta, “puro latin chic”. O filho da cantora, Paulo Flecha, se integra à banda em uma canção.
Idilio, a mesma palavra em espanhol e em português, tem duplo sentido: pode significar paixão e também um pequeno momento poético. O jornalista Luis Nassif comenta o trabalho de Marina de la Riva:
Conheci a moça Marina de la Riva em casas de amigos comuns. Juntando o balanço das músicas brasileira e cubana, era dengo puro, uma alegria esfuziante, a típica moreninha sestrosa brotando para a vida e para a música sem nenhuma das tristezas do mundo.
Em sua formação, foi importante integrar uma família essencialmente musical, dos pais aos irmãos. O tempo passou e a cantora amadureceu. Mais do que isso, ganhou um ingrediente fundamental para formar grandes intérpretes: uma dose de tristeza, não numa intensidade que obscureça a alegria, mas na medida certa para permitir aflorar sentimentos mais intensos. E aí nasceu esse CD, juntando a nostalgia do samba e do bolero com um laivo de tristeza até em músicas improváveis, como “Juracy” e “Estúpido Cupido”.
E a alegre Marina, capaz de iluminar os saraus familiares com o brilho das danças e do riso solto, mergulhou na sua própria história, na sua memória musical afetiva, como se esse processo de se desdobrar fibra por fibra lavasse a alma e permitisse a reconstrução. Foi com esse espírito que ela buscou uma geração de compositores cubanos ou hispano-americanos nascidos nas primeiras décadas do século XX e que ajudaram a lançar o bolero e a salsa.
Com o cubano Vicentico Valdés, foi buscar “Añorado Encuentro”, que, na gravação, contou com a participação especialíssima do trombonista Raul de Souza. De Frank Domínguez trouxe “Tu Me Acostumbraste”, uma das músicas mais gravadas de toda a América Latina. Há também “Dile que por Mi No Tema”, da rainha da salsa Celia Cruz, que deixou Cuba quase na mesma época que sua família, e a salsa “Muñeca”, de Eddie Palmieri, filho de porto-riquenhos.
Mais nova que a geração anterior, Gloria Estefan inspirou “Como Duele Perderte”. Em Javier Solis, o criador do bolero-ranchero, foi buscar “Y (Que Hicistes del Amor que Me Juraste)”, de Mário Jesus, além de “Idílio”, de Willie Colon, da década de 1950. O repertório hispânico tem um fecho de ouro com “Canción de las Simples Cosas”, música que Marina gravou durante um festival de bolero em Cuba, e o presente de Amaury Gutiérrez, cubano premiado com o Grammy de Melhor Composição em 2011, “Voy a Tatuarme”.
Aí se entra no repertório brasileiríssimo da brasileiríssima Marina. “Propriedade Particular” é uma brincadeira musical de Lulu Santos. “Estúpido Cupido”, de Neil Sedaka, foi transformado em um mambo dolente. “Ausência”, de Marília Medalha e Vinicius de Morais, integra o trabalho. Um dos momentos mágicos do CD é “Assum Preto”, de Luiz Gonzaga. Dos arquivos mais profundos foi buscar “Meu Lamento”, de Diana, cantora do inesquecível som brega dos anos 1960 e 1970.
Serviço:
Marina de La Riva
Data: 24de março de 2012
Horário: Sábado, 21h.
Local: Auditório Ibirapuera – Parque do Ibirapuera
Endereço: Rua Pedro Álvares Cabral, s/ nº, Moema
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia entrada)
Telefone: (11) 3629-1075
Fonte: Auditório Ibirapuera
