Com uma exposição que discute as mudanças no conceito da escultura após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a nova sede do MAC-USP, no antigo prédio do Detran-SP, tem inauguração marcada para o sábado, dia 28.
‘O Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia’ reúne 17 obras produzidas entre 1947 (‘O Implacável’, de Maria Martins) e 1997 (‘A Negra’, de Carmela Gross). Em texto para a mostra, o curador, Tadeu Chiarelli, também diretor do MAC, fala em ‘crise’ e no processo de ‘desmonumentalização’ passado pela escultura.
Dentro do conceito da exposição entram até duas obras simbólicas da cidade de São Paulo, presentes do entorno do parque Ibirapuera: o ‘Monumento às Bandeiras’, de Victor Brecheret, e o ‘Mausoléu aos Heróis de 1932’, de Galileo Emendabili. Nelas, afirma Chiarelli, ainda existe ‘o conceito de escultura, como território do culto ao herói’, apesar do caráter modernista.
Em obras de artistas presentes na exposição, como Franz Weissmann, Sérvulo Esmeraldo, Henry Moore ou Liuba Wolf, são colocadas em xeque questões como a representação da natureza, os diálogos com outros suportes, as distâncias entre público, obra e artista, entre outros temas.
O acervo do museu surgiu em 1963, quando o empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (1898-1977), o Ciccillo, doou obras de sua coleção para a USP. Atualmente com mais de 10 mil obras, o acervo tem trabalhos de nomes como Picasso, Modigliani, De Chirico, Kandinsky, Léger, Miró, Matisse, Braque. Sua intenção era ‘formar uma coleção de arte contemporânea de dimensão internacional’, como afirma o reitor da USP, João Grandino Rodas, em texto da mostra.
A abertura da nova sede do MAC-SUP acontece após atrasos e negociações entre a Universidade de São Paulo e o Governo do Estado de São Paulo. As conversas começaram em 2005, mas foi apenas em 2008 que o então governador, José Serra, decidiu pelo Palácio da Agricultura, projetado por Oscar Niemeyer.
Até então, o MAC-USP tinha sua sede dentro da Cidade Universitária, além de um andar no prédio da Fundação Bienal, no parque Ibirapuera. A nova sede amplia a importância cultural da região, que ainda abriga o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Oca e a própria Fundação Bienal.
‘A USP fez a sede do museu na Cidade Universitária, mas o acesso é complicado aos finais de semana e o prédio é muito pequeno. Tanto que menos de 0,5% do acervo era apresentado lá’, afirma o Secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo. ‘Agora, o MAC terá um fluxo imenso de visitantes. São 40 mil metros quadrados de área, portanto, vai conseguir expor quase 15% da coleção. O fluxo de visitação será grande, mas a região está adequada a isso, já que o MAC fica no lado menos complicado do parque Ibirapuera.’
Na divisão de responsabilidades, o Governo do Estado ficou com a reforma do prédio, onde foram gastos R$ 76 milhões, além da cessão do espaço à USP, que ficará responsável pelo custeio e gestão do museu.
Fonte: Valor Online
