Novo prédio do MAC já está aberto para visitação

O prédio projetado por Oscar Niemeyer, em 1951, que por muito tempo foi ocupado pelo Detran, já é motivo mais que suficiente para justificar uma visita ao novo Museu de Arte Contemporânea (MAC), da USP, nele instalado. Seus novos espaços recebem as 10 mil obras do acervo – entre pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, objetos e obras de arte conceituais e contemporâneas. Uma oportunidade para ver, em 2012 e 2013 (quando o MAC completa 50 anos), o talento de Picasso, Matisse, Miró, Kandinsky, Modigliani, Di Cavalcanti, Volpi, Henry Moore, Tarsila do Amaral, entre tantos outros. As atividades na nova sede serão realizadas de maneira paulatina, ocorrendo durante todo este ano, até abril do ano que vem, data do aniversário.

Aberto ao público desde o dia 29, uma pequena amostra do que será o novo espaço já pode ser apreciada pelo público, com a exposição O tridimensional no acervo do MAC: uma antologia. A inauguração reuniu críticos de arte, autoridades, estudantes e representantes de instituições culturais. Segundo José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, o novo espaço é um ganho para a cidade de São Paulo e para o País. “É um ícone, recuperado dentro desse corredor cultural que é a Pinacoteca, o Museu Afro, a OCA, o Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Arte Moderna, sem dúvida um dos maiores complexos museológicos do mundo”. Para o curador Tadeu Chiarelli, “a partir de agora o MAC/USP tem um espaço finalmente condizente com a riqueza de seu acervo e da sua história”.

Restauro

O prédio está totalmente adaptado para receber as obras de arte, com 23 mil metros quadrados de área expositiva. O espaço vai atender à necessidade do MAC de ter uma sede maior, já que atualmente menos de 5% de acervo podia ser exposto. Com a nova sede, a capacidade expositiva do museu aumentará quatro vezes.

A reforma do prédio começou há quatro anos, com uma delicada obra de restauro das fachadas, recuperação estrutural e adaptação do prédio, a cargo da Secretaria de Estado da Cultura. Foram executadas instalações elétricas e hidráulicas, de ar-condicionado, modernização dos elevadores e instalações dos brises (quebra-sóis). Também foram construídas paredes expositivas e duas torres para escadas de segurança e de serviço, refeitos o piso e a cobertura do prédio principal. Tudo isso sem alterar as linhas traçadas por Niemeyer, cuja arquitetura foi integralmente recuperada, como no caso dos brises na fachada, previstos pelo arquiteto no projeto original. Todo o complexo é dotado de acessibilidade e equipado com o que há de mais moderno em termos de tecnologia.

O prédio principal tem o térreo destinado à recepção e às áreas de circulação e, no mezanino, cafeteria. No primeiro andar, haverá auditório para 152 pessoas, salas multimídia e biblioteca. A área expositiva ocupará do 2° ao 7° andar, além de áreas no térreo e no mezanino. No oitavo e último andar ficará o restaurante, que vai oferecer uma vista panorâmica do Parque do Ibirapuera.





Um anexo já existente, com mais de 3 mil metros quadrados, também foi restaurado e adaptado para receber exposições. Outros dois anexos construídos servirão de reserva técnica e administração e abrigo de equipamentos como geradores e ar-condicionado. Os investimentos foram de cerca de R$ 76 milhões.

A origem

Considerado um dos mais importantes museus de arte moderna e contemporânea da América Latina, o MAC-USP foi criado em 1963, quando Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, doou centenas de obras de arte de sua coleção para a universidade. Sua intenção era garantir a preservação do acervo, vinculando-o à USP e, ao mesmo tempo, dar oportunidade ao público de conhecer obras tão importantes. Ligado à pesquisa universitária, o MAC-USP tem também oferecido exposições com os mais variados recortes e amplas possibilidades de percursos e leituras com obras de artistas brasileiros e estrangeiros, novos e consagrados, que não pertencem ao seu acervo.

Exposição de reabertura

Frida Baranek, Eduardo Clima­chauska e Paulo Climachauska, Sérvulo Esmeraldo, Carlos Fajardo, Carmela Gross, Liuba Wolf, Maria Martins, Cildo Meireles, Henry Moore, Ernesto Neto, Gustavo Rezende, Chihiro Shimotani, François Stahly, Sofu Teshigahara, Ângelo Venosa, Franz Weissmann e Haruhiko Yasuda são os artistas que fazem parte da mostra O tridimensional no acervo do MAC: Uma antologia, que inaugurou o novo espaço, sábado, 28. Apresentando alguns dados e sublinhando parâmetros que ajudam a compreender a complexidade da arte entre os anos 1940 e o final dos anos1990, aexposição dá o tom de como o MAC/USP pretende propor a série de mostras que, nos próximos meses, complementará a implantação do Museu neste novo espaço.

O jovem estudante Emerson de Godoy, do grupo Juventude Leste, que reivindica melhorias para bairros como Cidade Tiradentes, Guaianases, Itaim Paulista, Penha e Artur Alvim, aplaudiu o novo espaço e as obras de arte. Acom­panhado de nove adolescentes, entre 12 e 16 anos, o grupo costuma visi­­tar sempre a Pinacoteca, Fábricas de Cultura e o Parque da Juventude. E não se importa de gastar quase duas horas do bairro onde mora para conhecer esses espaços. “Tudo é válido, em nome da cultura”, diz, ao fazer pose diante da escultura de Sofu Teshi­gahara, de 1954, chapas de ferro que lembram um cavalete, e que ele acha bonita e carregada de simbolismo.

O Que Vem Por Aí

Programação para 2012. Anote:

Maio – Abertura de individuais de León Ferrari, Julio Plaza e Rafael França, com obras do acervo

Julho – Inauguração de individuais de Emiliano Di Cavalcanti e José Antonio da Silva, e da coletiva Autoria em Questão

Agosto – Individuais de Mauro Restiffe e Carlito Carvalhosa

Outubro – Principais obras do acervo serão instaladas no sétimo piso do museu. Serão expostas 2 mil obras, entre elas Tarsila do Amaral, Umberto Boccioni, Giorgio De Chirico, Amadeo Modigliani, Flávio de Carvalho, Hélio Oiticica e Lygia Clark

Fonte: Agência Imprensa Oficial





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