Berta Rojas e Paquito D’Rivera se apresentam domingo no Auditório Ibirapuera

Agustín Barrios (1885-1944) foi um dos mais importantes violonistas clássicos do mundo e, possivelmente, o maior da América Latina. Em vida, não recebeu o devido reconhecimento até a gravação, nos anos 1970, de um disco dedicado inteiramente à sua obra, pelo violonista John Williams (John Williams Plays Music of Agustín Barrios Mangoré, CBS Masterworks, 1977).

Desde então, Barrios começou a ocupar um espaço inegável no mundo do violão clássico, admirado por sua vasta obra, caracterizada pela riqueza lírica e pela grande dificuldade técnica.

No transcorrer de sua vida, Agustín Barrios inventou um alter ego para si, o personagem “Nitzuga Mangoré”. Com esse pseudônimo e devidamente paramentado como um cacique guarani, ele se apresentou em salas de concerto entre os anos 1930 e 1934. A performance desafiava as normas vigentes no refinado mundo da música erudita e foi alvo de severas críticas em defesa da tradição e da etiqueta nas altas rodas da cultura.

Com olhos contemporâneos, Barrios foi um artista audaz e hábil que, de forma surpreendente, tentou chamar a atenção para uma arte que ele sabia ser única.

Berta Rojas, consagrada violonista clássica da América Latina, é uma das maiores intérpretes dessa obra. Em matéria do jornal americano Washington Post, foi citada: “Quando Berta está em sua plenitude, não há intérprete vivo que toque a obra de Barrios melhor do que ela”. A razão para esse entendimento deve vir da primorosa formação em música erudita da violonista, aliada às frequentes incursões na música popular – correntes que também se conjugam de maneira admirável na obra de Barrios.

Tras las Huellas de Mangoré
Como indica o nome, a turnê Tras las Huellas de Mangoré (em português, Seguindo os Passos de Mangoré) percorre o itinerário de Agustín Barrios. Viajante incansável, ele saiu do Paraguai, passando por Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Guiana Francesa, Martinica, Trinidad e Tobago, Venezuela, Colômbia, Panamá, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala, México, Porto Rico, República Dominicana, Haiti e Cuba. Terminou seus dias em El Salvador, em 1944.
Barrios conheceu seu tempo e sua terra como ninguém. Por viajar por toda a América Latina, vivendo-a e sentindo-a, pode plasmar sua essência na música.





A turnê Tras las Huellas de Mangoré começou em setembro de 2011, no Uruguai. Depois de passar pela Argentina, chegou ao Paraguai, local de nascimento de Barrios e Berta. Foi a primeira ida de Paquito D’Rivera a este país. Após um dia e meio por lá, Paquito e Berta realizaram um dos mais marcantes concertos de suas vidas e resolveram tirar, desse breve encontro, o nome do álbum que gravaram em seguida, registrando 13 músicas do mesmo repertório, Día y Medio (ONMusicRecordings, 2011).

Saiba mais:
bertarojas.com/huellas/
onmusicrecordings.com/albums/dia-y-medio.php

Berta Rojas
Violonista paraguaia, Berta Rojas é uma referência internacional do violão contemporâneo, que já circulou por importantes salas de concerto do mundo. Agustín Barrios sempre esteve presente em sua história e seu repertório. É professora de violão em Washington D.C. e cofundadora dos prêmios Beatty Competition, Premio Cardozo Ocampo e Barrios WorldwideWeb Competition, iniciativas que procuram reconhecer jovens talentos em início de carreira e promover a música latino-americana.

Paquito D’Rivera
Saxofonista e clarinetista cubano, acumula uma dezena de prêmios Grammy, sendo inclusive o primeiro artista latino-americano a ganhar as categorias de música clássica e jazz. Em sua trajetória, destaca-se a participação na fundação de grupos como a Orquestra Cubana de Música Moderna e o Irakere. Entre seus mais de 30 discos está Brazilian Dreams (MCG Jazz, 2003), com o grupo vocal New York Voices, que inclui clássicos de Tom Jobim e outros compositores brasileiros.

Berta Rojas e Paquito D’Rivera

Data: 30 de setembro de 2012
Horário: Domingo, 19h;
Local: Auditório Ibirapuera – Parque do Ibirapuera
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/ nº, Moema
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada)
Telefone: (11) 3629-1075

Fonte: Auditório Ibirapuera





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