Parque do Ibirapuera recebe a exposição Design da Periferia

Depois de realizar exposições sobre as artes popular (2010) e indígena (2011), propulsoras da formação dos respectivos acervos para o Pavilhão das Culturas Brasileiras, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo agora faz o mapeamento de uma produção que também não surge da erudição, mas da capacidade de invenção do povo brasileiro. A mostra Design da periferia, com a curadoria de Adélia Borges, é o resultado de pesquisas pelo Brasil por cidades e comunidades que exibem preciosas lições de design.

Segundo a curadora, por trás da precariedade de vida da maioria dos brasileiros encontram-se soluções geniais, manifestações inequívocas de sabedoria criativa, em artefatos feitos pelo povo para uso em seu cotidiano. “O conceito de periferia é sempre relativo, ele depende de um centro, que pode ser geográfico – um país periférico aos que têm mais voz no mundo, ou a parte de uma cidade que está distante do seu centro, por exemplo – ou pode ser metafórico, no sentido de não pertencer ao mainstream. É com esse sentido que estamos trabalhando”, diz ela.

Todas as obras e fotografias apresentadas na exposição integram o acervo do Pavilhão das Culturas Brasileiras. A Secretaria Municipal de Cultura estabeleceu nos últimos quatro anos uma política ativa de aquisições, com rigorosa seleção, visando a constituir um acervo único no país, no campo da arte e do design popular, por considerar que é obrigação do poder público proteger esse patrimônio.

Com cenografia do arquiteto Marko Brajovic e produção da Arx Gestão Cultural, a mostra, com objetos, fotografias e vídeos, está dividida em quatro módulos: Rua recebe os empreendimentos que ocupam o espaço urbano, os vendedores ambulantes, carroceiros de sucata, anúncios gráficos, modo de expor produtos; Casa destaca as invenções domésticas que, nas camadas populares, confundem-se com a área coletiva; Corpo identifica a expressão do vestir, do pentear; e Brincadeiras traz engenhosas releituras do tradicional universo infantil.





Churrasqueiras feitas de calotas velhas de pneus, postos de trabalho de vendedores ambulantes, móveis e brinquedos elaborados por pessoas simples a partir de materiais e técnicas disponíveis no lugar em que vivem são alguns dos objetos que estão na exposição. “Em geral são objetos improvisados, muitos feitos com detritos, com um resultado em que a simplicidade resulta de sofisticados raciocínios, mostrando soluções muito engenhosas”, diz a curadora. Ao lado de peças sem assinaturas, há algumas de “designers-artistas”, como Getúlio Damado, do bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro; José Maurício dos Santos, de Juazeiro do Norte, Ceará; Fernando Rodrigues, da Ilha do Ferro, município de Pão de Açúcar, Alagoas; José Francisco da Cunha Filho, da cidade de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco; e Espedito Seleiro, de Nova Olinda, Ceará.

Os ensaios fotográficos captam alguns momentos de expressão da criatividade popular. O fotógrafo baiano Adenor Gondim mostra os móveis que eram utilizados nas barracas de festas nas ruas de Salvador, com seus grafismos em composições geométricas. Titus Riedl, fotógrafo e historiador alemão radicado no Crato, no Ceará, apresenta a ambiência urbana utilizada na venda de toda a sorte de produtos no Crato e em Juazeiro do Norte.  Já Fernanda Martins, designer paulistana moradora de Belém, fotografa os letreiros dos barcos de várias cidades amazônicas.

Por sua vez jovens aprendizes da ONG Observatório das Favelas retratam o cotidiano nas lajes das moradias de favelas cariocas. Guma, morador do bairro do Campo Limpo, em São Paulo, registra os vibrantes cabelos e roupas utilizados pelos jovens da periferia da cidade como uma forma de auto-expressão, enquanto a ONG Oi/Kabum, de Salvador, preparou com os jovens que participam de seus programas educativos vídeos e projeções de imagens relacionados aos carrinhos utilizados por vendedores ambulantes e por catadores de lixo na cidade.

SERVIÇO:
Abertura da exposição: 25 de janeiro, sexta-feira, das 11h às 14h
Apresentação musical às 12:00h

Exposição: De 25 de janeiro a 29 de julho de 2013, de terça a domingo, das 9h às 18h, com entrada até às 17h – Entrada gratuita – ambiente acessível

Visitas monitoradas: equipe disponível para atendimento de grupos escolares, organizações da sociedade civil,associações de moradores, entre outros.
Agendamento pelo e-mail: educativopcb@prefeitura.sp.gov.br / Telefone: 11 5083-0199

Endereço: Pavilhão das Culturas Brasileiras
Parque Ibirapuera
Estacionamento com acesso pelo Portão 10
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n
04094-000 – São Paulo – SP
Telefone:  11 5083-0199
Site: culturasbrasileiras.sp.gov.br
Email: culturasbrasileiras@prefeitura.sp.gov.br

Fonte: Prefeitura de São Paulo





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